sábado, 28 de abril de 2012

EDUCAÇÃO: RESPONSABILIDADE DA FAMÍLIA OU DA ESCOLA?

Fábio Henrique Prado de Toledo
Uma mãe contou-me, certa vez, que se reuniu com o marido, já tarde da noite, para tratar de um problema com o filho: o garoto não obedece. Depois de uns minutos de conversa e, sem nenhuma conclusão, o pai disse: “mas não há muito que se preocupar, faltam apenas dez dias de férias. Com a volta às aulas, quem sabe a escola dá um jeito nele...”.
O problema proposto e a forma com que se buscou a solução nos permitem fazer uma indagação: a quem cabe a responsabilidade pela educação dos filhos, aos pais ou à escola?
O Estatuto da Criança e do Adolescente, muito sabiamente, consagra em seu artigo 19 que toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família. E digo que é sábia essa norma porque penso que os pais são os principais educadores de seus filhos. E isso é assim porque existe uma relação natural entre paternidade e educação. A paternidade consiste em transmitir a vida a um novo ser. A educação é ajudar a cada filho a crescer como pessoa, o que implica em proporcionar-lhes meios para adquirir e desenvolver as virtudes, tais como a sinceridade, a generosidade, a obediência, dentre muitas outras.
Os filhos nascem e se educam em uma família concreta. A família é uma atmosfera que a pessoa necessita para respirar. Entre seus membros costuma haver laços de afeto incondicionais que fazem um ambiente propício para que a educação se desenvolva. Nesse sentido, é ela essencial para a formação da pessoa. Os valores que se cultuam no lar irão marcar de forma indelével o homem e a mulher da amanhã.
Muito bem, mas se a função primordial na educação cabe aos pais, o que compete à escola? Ou, mais ainda, como essa pode ajudar os pais na educação dos filhos?
É natural que os pais deleguem algumas funções educativas à escola, como por exemplo, o ensino das várias disciplinas apropriadas a cada faixa etária, mas daí não se pode concluir que possam abandonar essas funções delegadas. Aliás, somente se delega aquilo que é próprio. E em sendo delegada tal atribuição, cabe aos pais acompanhar como está sendo desempenhada.
Um ponto essencial nessa relação entre os pais e a escola é cuidar para que haja coerência entre a educação que se desenvolve no colégio e o que os pais ensinam em casa.
Essa consideração de que os pais ocupam lugar de primazia na educação dos filhos não coloca a escola num segundo plano na função educativa. Pelo contrário, as instituições que reconhecem o papel da família, sem o que a formação que proporcionam não terá eficácia, cuidam de desenvolver também uma educação voltada para os pais. As imensas dificuldades que eles enfrentam em educar os filhos no mundo moderno devem despertar as escolas para que passem a ajudá-los, dando-lhes conhecimentos acerca de como devem atuar na formação dos filhos.
Não há dúvida de que ser pai e mãe hoje implica em ser profissional da educação. Isso significa que têm de se adiantarem aos problemas naturais de cada idade dos filhos. Por exemplo, é muito comum que enfrentem dificuldades em fazer com que as crianças durmam sozinhas nos primeiros anos de vida, assim como são muito freqüentes as crises de rebeldia na adolescência. Diante disso, a escola, como colaboradora da família, deve estar preparada para dar formação aos pais, auxiliando-os com conhecimentos técnicos e com um acompanhamento personalizado nessa difícil tarefa de educar.
Em vários países há instituições de ensino que têm adotado um programa que consiste em manter contatos periódicos entre os pais e os professores. E isso ocorre não apenas quando o filho quebra a vidraça do colégio, mas mesmo que não haja nenhum problema aparente. Trata-se de reconhecer o que há de bom em cada aluno e, a partir disso, traçar um plano pessoal de melhora, com atuações concretas a serem implementadas em casa e na escola. Os resultados têm sido bem interessantes.
Para isso é necessário, porém, que se admita a importância dos pais na educação, e que a escola, colaboradora desses, os ensinem a educar, atuando ambos coerentemente em uma mesma direção.
Fábio Henrique Prado de Toledo é Juiz de Direito em Campinas. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Articulista do Correio Popular de Campinas e de alguns outros jornais. Casado, é pai de 8 filhos.
e-mail: fabiotoledo@apamagis.com.br
Publicado no Portal da Família em 25/10/2010

quinta-feira, 26 de abril de 2012

INDISCIPLINA NA ESCOLA

Indisciplina. Se você tem filhos, sobrinhos ou netos, sabe o que significa esta palavra. E, com certeza, já discutiu bastante sobre este assunto em casa. Quando a indisciplina parte então de adolescentes, o problema complica ainda mais. Que o digam os professores. É fato que a indisciplina sempre existiu no ambiente escolar, mas arrisco dizer que ela vem se tornando uma rotina desgastante, estressante e, às vezes, insustentável.
Não podemos generalizar, mas me parece que boa parte dos adolescentes perdeu completamente o respeito para com o professor. Não existe o entendimento de que o mestre, na sala de aula, é uma autoridade. É preciso deixar claro que não se trata de um autoritário, mas de alguém que tem autoridade, sim, na condução do ensino.
Sabemos que esta autoridade não é nem deve ser dada, mas cultivada e construída na escuta e no diálogo, na percepção de ambos — alunos e professores — de que há deveres e direitos. Porém, quem disse que os alunos estão interessados nesta conversa? Quem disse que os estudantes se esmeram em cumprir seus deveres? Ledo engano. Os deveres são deixados de lado. Mas os direitos…
Culpar a família ou a própria mídia pela indisciplina, não resolve o problema, embora seja um bom marcador de avaliação. Afinal, são duas instâncias de ensino e de exemplos, que acabam repercutindo na escola.
Não faltam no mercado atividades e dicas de como reverter a indisciplina na sala de aula. Os professores estão atentos. Mas tenha certeza, você, leitor, que não é professor: o relacionamento com os jovens é cada vez mais difícil. Boa parte deles acha que sabe tudo e não quer viver sob regras.
Como então podem co-existir respeito, diálogo e escuta? Como exigir respeito, diálogo e escuta numa sociedade que enaltece o individualismo e empodera a juventude. Se os adolescentes não aprendem com a família, nem com a mídia, com o que passam o maior tempo do dia, o que dirá com a escola? A indisciplina está ficando fora de controle.
Você, professor, também vivencia esta indisciplina na sua sala de aula? Como você lida com isso?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

INDISCIPLINANA SALA DE AULA

Qual é a causa do mau comportamento? Como pais, alunos e professores podem trabalhar juntos para contornar esse entrave da boa Educação


Foto: indisciplina na sala de aula

"Mau comportamento pode ser um jeito de as crianças mostrarem que uma regra é desnecessária ou não está funcionando"

A garotada voa pelos corredores, conversa em sala, briga no recreio, insiste em usar boné e em trazer para a sala materiais que não são os de estudo. A paciência do professor está por um fio. Cansado e confuso, ele se sente com os braços atados e a autoridade abalada. Não suporta mais as cenas que vê e não sabe o que fazer. Quer obediência! Quer controle! Quer mudanças no comportamento dos alunos! 
Para ter uma turma atenta e motivada, a primeira mudança necessária talvez esteja nos pais, na escola e nos professores. É hora de rever a ideia de indisciplina e o que há por trás dela. Pesquisa realizada por NOVA ESCOLA e Ibopeem 2007 com 500 professores de todo o país revelou que 69% deles apontavam a indisciplina e a falta de atenção entre os principais problemas da sala de aula. Doce ilusão! O comportamento inadequado do aluno não pode ser visto como uma causa da dificuldade para lecionar. Na verdade, ele é resultado da falta de adequação no processo de ensino. 
Para avançar nessa reflexão, é preciso entender que a indisciplina é a transgressão de dois tipos de regra.

    • O primeiro são as morais, construídas socialmente com base em princípios que visam o bem comum, ou seja, em princípios éticos. Por exemplo, não xingar e não bater. Sobre essas, não há discussão: elas valem para todas as escolas e em qualquer situação.

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    • O segundo tipo são as chamadas convencionais, definidas por um grupo com objetivos específicos. Aqui entram as que tratam do uso do celular e da conversa em sala de aula, por exemplo. Nesse caso, a questão não pode ser fechada. Ela necessariamente varia de escola para escola ou ainda dentro de uma mesma instituição, conforme o momento. Afinal, o diálogo durante a aula pode não ser considerado indisciplina se ele se referir ao conteúdo tratado no momento, certo?

CONQUISTAR AUTORIDADE COM O SABER E O RESPEITO AO ALUNO

Ficar irritado, gritar e castigar os que não se comportam como você quer - atitudes autoritárias e retrógradas - não adianta nada. Quando se tenta impor disciplina, a submissão e a revolta aparecem. "Hoje, isso não se sustenta mais. O mundo é outro". Seu papel na construção é conhecer como se dá a aprendizagem e, com base nessa compreensão, planejar as aulas, além de ter segurança sobre o conteúdo a ser trabalhado. A medida parece muito básica - e é. Ela vale para manter a disciplina e para chegar ao objetivo principal: fazer com que todos aprendam. Os caminhos também não são nada que esteja fora de seu alcance. "É preciso diversificar a metodologia, pois interagimos com alunos conectados ao mundo por diferentes redes e ferramentas", acredita Maria Tereza Trevisol, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba. Vale promover mais participação de todos em situações desafiadoras que deem protagonismo a cada aluno. Pesquisas feitas por ela mostram que os alunos querem que o professor tenha autoridade também para resolver os conflitos em sala, antes de recorrer à direção. Um ponto de atenção: o desrespeito do professor em relação aos alunos também alimenta a indisciplina. Quase 25% dos estudantes afirmam ser vítimas disso de vez em quando - e mais de 12%, que o fato ocorre com frequência. Quem nunca ouviu uma criança reclamando: "Nem me ouviu e já me colocou para fora"? Outra situação corriqueira é a da desconfiança: "Você precisa mesmo ir ao banheiro ou está querendo passear?" Que tipo de relação se espera formar com atitudes como essas? A análise do próprio comportamento é fundamental. "Falta sensibilidade moral aos professores que tiram sarro do aluno, uma situação, infelizmente, bem comum. Nesses casos, o respeito adquire um caráter unilateral". Assim, a ofensa à autoridade passa a ser encarada como mais grave do que a que se dá entre os colegas. "Por exemplo, se um aluno xinga o professor, ele corre um grande risco de ser expulso. Mas, quando esse mesmo aluno pratica bullying, ninguém toma nenhuma atitude".A mensagem passada em situações desse tipo é: respeite aquele que manda e maltrate quem é igual ou menor que você...

É POSSÍVEL RESOLVER A INDISCIPLINA?

Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar - como conteúdos de ensino - as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criar um ambiente de cooperação. As estratégias usadas atualmente por grande parte dos professores para lidar com a indisciplina têm sido desastrosas e estão na contramão do que os especialistas apontam ser o mais adequado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

DINÂMICA: VOCÊ ME COMPLETA


Eu sou uma camisa sem botão.
Eu sou o botão da sua camisa.
Eu sou uma calça sem zíper.
Eu sou o zíper da sua calça.
Eu sou uma cabeça sem pescoço.
Eu sou o pescoço da sua cabeça.
Eu sou um pé sem sapato.
Eu sou o sapato do seu pé.
Eu sou uma mala sem alça.
Eu sou a alça da sua mala
Eu sou uma xícara sem asa.
Eu sou a asa da sua xícara.
Eu sou um carro sem volante.
Eu sou o volante do seu carro.
Eu sou uns óculos sem lentes.
Eu sou as lentes dos seus óculos.
Eu sou um avião sem asas.
Eu sou as asas do seu avião.
Eu sou uma saia sem elástico
Eu sou o elástico da sua saia.
Eu sou uma floresta sem árvores.
Eu sou as árvores da sua floresta.
Eu sou um livro sem páginas.
Eu sou as páginas do seu livro.
Eu sou um céu sem estrelas.
Eu sou as estrelas do seu céu.
Eu sou um rádio sem som.
Eu sou o som do seu rádio.
Eu sou uma rosa sem pétalas.
Eu sou as pétalas da sua rosa.
Eu sou uma árvore sem frutos.
Eu sou o fruto da sua árvore.
Eu sou um jardim sem flores.
Eu sou as flores do seu jardim.
Eu sou um circo sem espetáculo.
Eu sou o espetáculo do seu circo.
Eu sou uma banda sem músico.
Eu sou o músico da sua banda.
Eu sou um mar sem peixe.
Eu sou o peixe do seu mar.
Eu sou um deserto sem oásis
Eu sou o oásis do seu deserto.
Eu sou uma empada sem azeitona.
Eu sou a azeitona da sua empada.
Eu sou um pão sem manteiga.
Eu sou a manteiga do seu pão.