sábado, 23 de março de 2013

Educação e limites: uma relação de amor e paciência

A tarefa é difícil e cheia de culpa, mas faz parte do aprendizado Por Teresa Ruas
Quem não se lembra de um olhar enérgico dos pais diante de situações cotidianas, de momentos de castigo e das conversas de reconciliação afetiva com os pais? Com certeza levaremos estas lembranças para sempre, mas também podemos utilizá-las a nosso favor, em vários momentos na educação dos nossos filhos.
Dizer que as crianças não se sentem frustradas, tristes, ressentidas ou irritadas diante de um limite e/ou um castigo imposto pelos pais não é verdade. Dizer que os nossos corações de pais não ficam apertados diante de um choro sofrido e/ou de uma situação de distanciamento afetivo com um filho ao receber uma ordem é mentira. Para ambos os lados, essa relação entre a educação e limites é muito difícil. Sem falar do sentimento de “culpa” que todos os pais carregam ao perceberem que passam mais tempo tentando impor regras, normas e limites do que momentos livres e prazerosos com os filhos. Porém, sabemos o quanto esta relação é necessária e importante para que as crianças cresçam fortalecidas emocionalmente diante dos vários “nãos” que a própria vida proporcionará.
Impor um número imenso de castigos sem o entendimento real da causa, em contrapartida, não é o tipo de atitude parental que facilita a educação. Muito pelo contrário! Esta relação gera medo e distanciamento afetivo entre as crianças e os pais, o que resulta em um comportamento de obediência e aceitação, mas não necessariamente de aprendizado para os pequenos.
Repetir e falar ininterruptamente a ordem solicitada e frases como “não pode”, “já falei que não pode”, “já te avisei” são atitudes que trazem poucos resultados positivos de obediência e aceitação. Um conselho de especialista: seja menos prolixo nas explicações. Simplesmente vá até o lado do seu filho e, olhando diretamente nos olhos dele, diga por que determinada ação/reação não é aceitável por você.
Outra dica é não voltar atrás do combinado. Diante da minha (pouca) experiência de maternagem, tenho a convicção de que a paciência é a grande virtude nestes momentos. Difícil? Extremamente, confesso! O que me acalma é pensar que todos os pais, e em todas as gerações, passaram pelas mesmas experiências. E em todas elas, o bom senso e o amor foram os componentes mais importantes e fortalecedores dessas relações humanas.
crédito: Teresa Ruas é terapeuta ocupacional especializada em desenvolvimento infantil